Um blogue de Andreu Vallès
08
Jun 09
Por Andreu Vallès, às 18:05 | comentar
o que eu quero é desfazer-me
passar os dedos pelas lombadas
e que os livros fiquem lidos
que seja tudo fácil sem trabalho
sem esforço nem tortura
apenas uma neutra passagem obscura
por uma rua límpida e fácil
onde todos me amam
e a rapariga bonita
se ajoelha

Por Andreu Vallès, às 18:02 | comentar

 Sou monárquico. É óbvio.


Por Andreu Vallès, às 17:56 | comentar

não voto em obama não voto no sonho

não voto no futuro porque o futuro
acabou
 
acabou e não mo tragam
de volta numa bandeja
que não quero não posso não desejo
aceitar um futuro tão perfeito
 
...............................................................
 
quero é o presente inteiro e livre como o hoje
em que não há ninguém que me diga para não foder
 
...............................................................
 
mas tragam-me os fascistas com as suas roupas de pó e mortos
e eu voto em que quiserem desde que os tirem os afastem os esmaguem
 
...............................................................
 
porque quero é liberdade e brincar aos liberais ou aos socialistas
o que eu não quero é fascistas

Por Andreu Vallès, às 12:16 | comentar

Nessa noite eu estava obcecado pelas mamas dela a respirar ao meu lado por baixo do sorriso entendido que ela fazia quando íamos ouvir conferências ou debates ou uma merda dessas qualquer sobre livros ou teatro ou qualquer coisa que a convencesse que estávamos a ter uma vida muito cheia e cultural e significativa 

 

e a mim só me apetecia estar em casa a foder ou pelo menos a ler ou a passear com ela e a encontrar sítios para nos comermos como sempre fazíamos

 

mas mesmo assim o sorriso era lindo era como pensar numa rapariga muito certa e limpa e adequada daquelas que até votam preocupadas no bloco de esquerda e escrevem teses sobre livros ou sociologia e depois estar a comê-la contra uma parede, a ver-lhe as nádegas a comprimir-se perante as minhas investidas, a desfazer-lhe o cabelo e senti-la a vir-se em redor do meu pau

 

mas não vamos adiantar-nos porque isso pode ser fantasia de macho frustrado em sessão intelectual de masturbação genial e agora preciso que imaginem os debatentes, com dois paus de vassoura no cu, parece que discutiam a fome no mundo 

 

mas no fundo só diziam as mesmas coisas de sempre 

 

sobre a literatura que era uma forma de fazer não sei o quê

 

e diziam com a maior das descontracções, naquela forma estranha de debater em que todos concordam com todos

 

que a literatura é ter cuidado com as palavras, é dizer o máximo possível com o mínimo de palavras possível, que é preciso trabalhar, esforçar-nos para retirar tudo excepto o essencial e que a diferença entre a literatura e o mero entretenimento é esse cuidado com as palavras e pelos vistos o cuidado com as palavras é esforçarmo-nos por não as usarmos porque elas, pelos vistos, são para não se usar

 

e eu obviamente ri-me baixinho para isto e no silêncio inteligente da sala olhei para o lado e senti o ouvir atento dela e as mamas a respirarem pelo decote de intelectual que assume a sua sexualidade 

 

e oh quanto eu gostava de assumir a sexualidade dela naquele momento, naquele preciso momento, tentei ser telepático e convencê-la que um broche era a coisa radical e intelectual a fazer

 

ali mesmo perante os vizinhos embasbacados ou talvez até não talvez até se limitassem apenas a ouvir interessados os participantes e a sentirem pelo canto dos olhos o que ali faríamos

 

e ao mesmo tempo que a desejava toda que queria foda com uma guloseima criminosa senti vontade de empanturrar-me de palavras porque o que eu queria era calar aqueles gajos que gostam de palavras e querem quase proibi-las, racioná-las ao estritamente necessário 

 

só para os enervar apetecia-me ler livros muito cheios de palavras desnecessárias enquanto ela me cavalgasse e eu lia eu lia

 

e que giro que era calá-los, calá-los até talvez com a arfar de nos fodermos ali mesmo imediatamente no meio do auditório onde decorria tão importante sessão

 

mas acabei por pegar na mão dela e levá-la até à biblioteca, tinha agora uma nova fantasia

 

ouvia as vozes deles lá ao longe, na sala que derramava uma luz fraca cá para fora, estávamos na torre duma faculdade de Lisboa, vi a cidade e senti-me muito bem e preparado para ela, sentia a mão dela, a respiração de nervoso dela

 

e o sorriso, claro, e o cabelo bonito, apanhado exactamente como eu gosto

 

e entrámos como ladrões na biblioteca fechada

 

e lá fomos até à secção de literatura e entre risos e mãos que tapam bocas empurrei-a contra as prateleiras e comecei a afogá-la em mim

 

e tirei-lhe a camisa, beijei-a, senti-lhe a saliva, de novo um encontrão e caíram livros

 

ela baixa-se e tira-me o caralho das calças e ele salta e ela ri-se e beija-mo e depois continuamos por aí fora e lembro-me de ver a boca dela a descer-me pelo pau à luz breve da lua numa biblioteca às escuras e olhei para um livro e vi os nomes nas lombadas mas naquele momento não queria saber de nada disso só queria saber do calor da boca dela a chupar-me a piça

 

e acabámos a foder em cima de livros, como animais, ela a rir-se, com aquele abandono de quem gosta de sexo porque sim, porque gostamos, porque somos nós e estamos na biblioteca às escuras e é bom

 

as folhas de livros sujas por baixo de nós, enquanto a penetrava sentia capas e picarem-nos a pele, folhas de livros a sujarem-se da minha esporra, dos fluidos dela, a entrarem-lhe no cu apertado por mim em cima dela, as folhas a misturem-se com o suor do rego dela e com pelos que saltavam dos meus colhões enquanto investia de pau erecto para o calor de gruta e de animal da cona dela a abrir-se à minha passagem e a ouvirem-se os ruídos habituais quando os corpos se regam e se rasgam

 

os livros partidos e dobrados e nós com aleijões na pele dos cantos das capas duras e páginas pelos cabelos como migalhas e sujos tínhamos páginas manchadas com sémen, custo e lava e levantei-me, na escuridão da biblioteca 

 

e senti uma ternura infinita por aquela mulher acabada de ser fodida por aqueles cabelos que me lembravam flores amassadas belas e perdidas e ao ver o inocente sorriso dela beijei-a com a fraqueza boa que vem depois de me vir e peguei na mão dela e com livros sujos dos nossos corpos nas nossas mãos

 

entrámos nus e desgrenhados pela sala de conferências e depressa todos olhavam para nós e nós de mãos dadas nos dirigimos ao palco e gritei então

 

aqui tens livros com restos de foda e agora come-os e enche-te de palavras a sério 

 

e depois do choque inicial eles começaram a debitar enormidades sobre a necessidade de chocar que algumas almas têm e eu acabei por piscar o olho a ela e dali a pouco estava a fazer-lhe um minete contra a mesa dos debatentes, que desapertavam as gravatas um pouco incomodados

 

diria mesmo muito incomodados

 

enquanto eu a fazia arquear as costas com a minha língua no grelo dela

 

até acabar a senti-la arfar e vir-se em gritos absurdos e bons e levantei-me e fiz as devidas vénias ao público que me aplaudia depois da demonstração inédita de como se faz uma mulher feliz só com uma mera língua e todos de pé me aplaudiam e ela levantava-se feliz e vinha fazer vénias também

 

e logo a seguir autografámos muitos livros de autores desconhecidos, sujos do nosso suor, sangue e sémen, entre sorrisos comovidos e palavras de circunstância de pessoas compostas que gostavam de ler livros para mudar de vida.


01
Jun 09
Por Andreu Vallès, às 17:53 | comentar

Sou uma espécie de metralhadora, que dispara em todas as direcções, para ver se alguma coisa cai.

Sou uma espécie de poeta que não sabe escrever poesia.

Sou uma espécie de liberal com complexos de esquerda.

Sou uma espécie de monárquico que não se importa com a república.

Entre outras coisas, sou um bicho estranho, ilógico e incoerente, que gosta de mulheres, em todos os sentidos (de conversar, delas enquanto seres e delas de todas as formas e feitios).

tags: , ,

15
Mai 09
Por Andreu Vallès, às 18:55 | comentar

Sabem que não sou propriamente muito católico. Sou demasiado libertino para isso. (Isto é: gosto demasiado de sexo para conseguir cumprir tudo o que a Igreja exige e que a mim não faz confusão nenhuma, porque não andam aí com paus a bater em quem não cumpre, ao contrário do que se pensa.)

Mas agora vejam lá os comentários a este post. O Daniel Oliveira é bastante inteligente e sabe que lá por não se ser católico e não se gostar deste papa não quer dizer que não se possa concordar com ele (e às vezes concordar mal). Mas as pessoas que comentam... Leiam lá a Madalena Madeira. Depois falamos. 


Por Andreu Vallès, às 16:54 | comentar | ver comentários (1)

Pois, a questão é complicada. O que fazer perante uma mulher muito atraente, uma "gaja boa", um espécime perfeito da fêmea biologicamente adequada para o macho do homo sapiens?

 

Reparem, se colocarmos a questão em termos animais ("espécime", "fêmea", "homo sapiens"), podemos ficar satisfeitos por estar a ser muito "cool", muito "somos todos animais, vamos mas é comer-nos", mas estamos a fugir a algo muito importante: somos pessoas que se podem ver ou não (o que pode ser ou não enganador) como animais. Ou seja, podemos até fingir que não somos. Podemos imaginarmo-nos como animais puros e brutos ou como outro ser qualquer, até anjo. 

 

O que provoca situações dolorosas e deliciosas ao mesmo tempo: como quando um homem, com todo o desejo a borbulhar dentro de si, tenta domar-se para considerar aquela amiga com cara angelical como um ser acima de qualquer perversidade, como uma pessoa, um anjo, um ser "dotado de dignidade", o que quer sempre dizer algo que, por mais que se tente, está longe daquilo que o homem deseja fazer, naquele momento, em qualquer lado. Porque ele quer colocar-se nela, aproveitar o corpo, fazer-lhe literalmente um filho, mesmo que não queira, literalmente, um filho.

 

Obviamente, numa era que se diz descomplexada, conseguimos separar as coisas e considerar os outros e outras como pessoas e mesmo assim desejá-los intensamente, fantasiar, inventar situações em que somos animais, mas tudo não passa duma brincadeira, ou pelo menos parece que não passa. Há até quem reconheça que se diverte a imaginar-se na cama com as amigas ou amigos sem que daí venha mal ao mundo. Mas há sempre um desvio, uma incomodidade por andarmos na corda bamba, a desejar-nos como animais e a imaginarmo-nos como outros seres, que se desejam. Senão, porque será tão difícil descrever esses mesmos actos imaginados com os amigos, a forma concreta como os imaginamos e queremos?


14
Mai 09
Por Andreu Vallès, às 13:43 | comentar | ver comentários (1)

Sei que isto já soa a lugar-comum, mas a verdade é que nós, homens, temos milhões de anos em cima de nós a exigir-nos que espalhemos a semente. Isto não é desculpa de mau pagador! Não sou nenhum santo, mas não engano ninguém. Quando estou só com uma pessoa, estou mesmo. Mas, de facto, sinto em mim a necessidade imperiosa de escolher uma rapariga biologicamente adequada (também conhecida como "boa") para lhe deixar a semente de forma a deixar progenia. Como a progenia, para os homens, é coisa que nem sempre tem consequências, a nossa preocupação é assegurar que acontece e em grande quantidade. Qual mais se semeia, mais se colhe, com a cambiante de que aqui, quem colhe não somos necessariamente nós. Resultado: somos biologicamente cabrões: comemos e vamos embora e o resto que se lixe. 

 

Obviamente que contra isto lutamos e mudamos e conseguimos ser pessoas bem melhores do que os animais que temos dentro de nós. Mas temo-los. Não duvidem. E isso também é bom, se forem "domesticados", o suficiente para não destruirmos a vida à outra metade da humanidade, mas não de tal forma que nos tire certos lampejos de brutidão que dão o sal à vida masculina. Seja como for, esta é uma luta de milénios e nunca acaba. 

 

Já as mulheres precisam de escolher a melhor semente para garantirem que a progenia de que vão ter de cuidar é boa e adequada e a vai perpetuar com as qualidades necessárias e evolucionariamente testadas. São outros critérios.

 

Seja como for, neste caldo de necessidade masculina de espalhar a semente e a necessidade feminina de escolher a melhor semente, quem manda são elas. E ainda se divertem com os cabrões que escolhem para ir para a cama e depois ficam com os santinhos para as ajudarem a criar os filhos.


11
Mar 09
Por Andreu Vallès, às 19:35 | comentar

Enfim, acho que vamos ter de, por fim, fazer como Portugal.


Por Andreu Vallès, às 19:34 | comentar

Na sequência do meu post anterior: a solução é sempre mais liberdade. Que eu tenha a liberdade de ser catalão completamente em Barcelona, em Madrid, onde em quiser, e que um andaluz que vá para Barcelona possa ser andaluz à vontade.


Por Andreu Vallès, às 19:29 | comentar

Sim, há uma maneira de eu aceitar Espanha sem que a Catalunha fique independente: é que a Espanha se torne um estado neutro em termos nacionais. Até agora, para se ser realmente espanhol, era preciso ser muito castelhano. Por isso, as "catalanizações" pareciam sempre anti-espanholas. Mas quero uma Espanha como o Reino Unido: um galês e um escocês, que eu saiba, são tão britânicos como os ingleses (mas não são -- e fazem questão de o dizer a toda a hora -- ingleses). Por isso, basta que eu, ao falar catalão, seja considerado tão espanhol como um madrileno a falar espanhol. Dito isto, até nem me importo que o espanhol seja obrigatório em toda a Espanha. Ou até podia ser o inglês. Desde que nos entendêssemos e a Espanha não fosse o domínio de Castela.

 

Em resumo: Espanha, só quando for tão neutra que os portugueses se sintam bem em lá entrar e não deixem por isso de ser portugueses como até agora.

 

Aí direi: Visca Espanya!

música: S

10
Mar 09
Por Andreu Vallès, às 23:35 | comentar

Vou lembrar-vos:

 

a) Sou, acima de tudo, catalão. A Espanha devia retirar-se já do meu país. Não suporto ver a invasão (que existe desde 1714) e por isso sou feliz por ter sido criado em Portugal.

 

b) Sou monárquico. Quero lá saber dos princípios de que todos temos direito a ser chefes de estado. Não temos. Mais vale preparar o coitado que vai lá parar e, pelo caminho, ficarmos com um símbolo nacional e tudo isso. Seja como for, o que interessa é que é mais bonito. Mas giro, se quisermos.

 

c) Sou um cabrão dum libertino. O meu grande objectivo é provar o maior número possível de mulheres. Até sou simpático e elas gostam. Mas não me interessa muito. Quero chupar a vida até ao tutano (e, sim, vou cair no fácil, e dizer que também gosto que me façam isso a mim).

 

d) Sou liberal. A direita e a esquerda são formas iliberais de ver a política. Liberdade total, com responsabilidade total.

 

e) Fisicamente, sou lindo. Dizem. 


Por Andreu Vallès, às 23:25 | comentar

Falta sexo no mundo. Garanto-vos! É preciso mais liberdade e é preciso desempoeirar cabeças.

 

Se dois amigos gostam um do outro, qual é o problema de haver contactos mais íntimos entre eles: uma amiga agradece um favor a um amigo usando a mão. Qual é o problema?

 

Trocam-se namoradas, mulheres, tudo o que for preciso. Qual é o problema?

 

Acima de tudo, o que é preciso é liberdade. 

 

Quanto às consequências, cada um terá as suas. É preciso saber quais são e aplicá-las e não deixar que se fuja com o rabinho à seringa, mas, dito isto, quanto mais foda melhor.

 

O mundo seria bem mais divertido.

 

(Talvez um pouco mais injusto, pelos parâmetros saloios de hoje em dia.)


Por Andreu Vallès, às 23:19 | comentar

Análise metódica de mulheres.

 

Mas pronto, acredito que a rapariga não goste que lhe digam que está a esforçar-se para ser puta. A sério, há quem ache isto ofensivo!


Por Andreu Vallès, às 23:14 | comentar | ver comentários (1)

 Aqui

 

Pelo menos há gente que assim ouve falar da Catalunha.

 

Eu até gosto da Helena. A sério. Mas nunca vou tentar que a língua dela não seja ensinada no país dela como língua principal. 

 

Mas pronto, tenho um interesse especial no assunto.


23
Fev 09
Por Andreu Vallès, às 01:57 | comentar

Pois é, agora numa nova plataforma (o Sapo), o Livre e Catalão voltou. 

 

Como sempre: 

Monárquico

Liberal

Libertino

Catalão

 

E por aí fora...


03
Mai 08
Por Andreu Vallès, às 23:19 | comentar

Para quê comemorar o que é básico em qualquer sociedade, quando o que realmente importa passa ao nosso lado na rua, nestes dias de Primavera?

Sim, gosto de me sentir com as hormonas a disparar nesta estação.

Por Andreu Vallès, às 23:13 | comentar
A Catalunha é o meu país e orgulho-me dele, uma das razões sendo o facto de nos termos aproveitado descaradamente da falta de independência para enriquecermos.
tags:

Por Andreu Vallès, às 23:12 | comentar
A monarquia é interessante porque nos permite ter a fantasia de estar acima de tudo o resto e deixar os nossos instintos estéticos percorrerem o seu caminho. Apenas isso.
Não é um sistema especialmente justo, mas por acaso deu origem a sociedades mais justas que as restantes. Mas, sem ironia, confesso que foi por acaso.
tags:

Por Andreu Vallès, às 23:08 | comentar
Sou o que muitos classificam como cabrão.
Ou seja, não faço nada que seja ilegal, respeito sempre a liberdade das pessoas, mas aproveito as suas fraquezas, todas as suas estupidezes, pequenos desejos inconfessados, para conseguir o que quero.
Não tenho qualquer pejo em confessá-lo e quem me conhece sabe-o, mesmo as "vítimas" desta cabrãozice.
Afinal, como sou extremamente interessante, bonito e simpático, acabo por ser perdoado de tudo, mesmo daquelas amigas com quem fui para a cama e desprezei no dia seguinte, só porque sim (muitas voltaram a cair na esparrela).
tags:

Por Andreu Vallès, às 22:30 | comentar


É no movimento de esperar que está o encanto. Esperar pelo peso e pela concretização, que está no fim do jogo. Da sedução.


Estarei a ser demasiado abstracto?
tags: ,

11
Fev 08
Por Andreu Vallès, às 11:57 | comentar
Pergunto eu.

10
Fev 08
Por Andreu Vallès, às 03:08 | comentar
Lição n.º 1: A Inocência.



















Lição n.º 2: Tudo o Resto.

tags:

Por Andreu Vallès, às 02:45 | comentar
  1. Certos direitos (como a propriedade em determinadas zonas) devem ser reservados aos belos.
  2. O acesso a cargos públicos deve ser restringido a pessoas com níveis de beleza aceitáveis.
  3. Os casais com níveis de beleza comparáveis devem ter benefícios fiscais.
  4. A todos os grandes génios feios deve ser dado o direito de passar uma noite de sexo escaldante por ano com uma das mais belas mulheres do mundo, à sua escolha, mas nada mais do que isso.
  5. A beleza física deve ser condição sine qua non para a promoção no emprego. Os chefes e as chefes devem ser sempre os mais belos de cada empresa.
  6. A educação visual e sexual deve ser uma disciplina obrigatória para os belos.
  7. Os belos devem ter um especial treino para o sucesso sexual e empresarial.
  8. As profissões meniais devem ser reservadas para os feios.
  9. Deve ser criado um Departamento de Classificação Estética dos Cidadãos.
  10. O lema do país devia ser: "Aos belos, tudo; aos feios, nada."

Definição de belo: o que induz estado de contemplação e, simultaneamente, ardente desejo físico.

tags:

17
Jan 08
Por Andreu Vallès, às 03:11 | comentar

Quando não tenho tempo para escrever, obsessiono.

cultua1


16
Jan 08
Por Andreu Vallès, às 11:58 | comentar

O que realmente atrasa a educação deste país não são os professores nem os alunos, mas a ausência de cultura em casa: o constante arrazoado contra a "teoria", contra "eles", contra os "livros", o defender do ideal do trabalho infantil, etc., etc., etc.

De resto, estamos cada vez melhor. Essa influência nefasta vai dissipando-se ao longo das gerações. Mas não deixa de ser muito portuguesinha.


Por Andreu Vallès, às 11:52 | comentar

mas anda a borbulhar por baixo.


14
Jan 08
Por Andreu Vallès, às 23:48 | comentar

Tapiès


Por Andreu Vallès, às 23:20 | comentar

Mulheres bonitas num blogue retiram seriedade à coisa?

Devia aplicar uma quota de fotografias masculinas?

Para que serve um blogue?


Por Andreu Vallès, às 23:19 | comentar

Depois dos pretensiosismos pseudo-sexuais, a realidade.


Por Andreu Vallès, às 23:06 | comentar

O interior da pele, pelos dedos, os fiapos de roupa, pelo chão, o sabor salgado nos lábios e o ardor de álcool nos olhos e o peso bruto até ao interior do ventre. Os sons e suores secretos, o movimento subterrâneo da carne e o aperto periogoso. O suor da pele, o emaranhado dos cabelos, o sujo dos movimentos, o suplicado dos olhos, o molhado dos músculos, a o ardor do peito, a violência das nádegas, o sabor da mulher, o calor intenso, os sons sem razão, os lábios entreabertos e os olhos semifechados,

imagea ferida por sarar, o vermelho do sangue, o apetite pela cor, o calor do que não se diz, do que se sente no alento final, na pulsão final, na pressão final,

a morte doce e o sabor triste do que acaba e é efémero e é da carne e é de nós e não se diz e não se explica. E dormir, e dormir, ardidos. Até amanhã, quando tudo recomeça.


Por Andreu Vallès, às 22:29 | comentar

285px-SevenGlyph.svg[1]

Jorge Gabriel, na RTP1, há poucos minutos, dá um exemplo do armanço ao pingarelho português. Ironizou sobre o "corte do 7", esse estranho fenómeno totalmente incompreensível para muitas almas, em que nós, comuns mortais imersos na mais profunda ignorância da verdadeira e sagrada caligrafia, cortamos o 7.

Já muitas vezes ouvi o argumento: se nos teclados o sete não está cortado, porque o cortamos quando o manuscrevemos?

Ora, porque razão não haveríamos de o fazer, se todas as letras têm versões diferentes em versão tipográfica e manuscrita? A questão é apenas de garantir a diferenciação entre os vários símbolos e o corte do 7 garante a diferenciação em relação ao 1. Não se trata de qualquer regra, trata-se de bom senso e segurança contabilística, no mínimo.

Os armados ao pingarelho armam-se destas ultracorrecções fetichistas (outra delas é o "queria ou quer" dos cafés) para mostrarem que são superiores a todos os outros, que eles acham armados ao pingarelho e que no fundo fazem gestos de tão profunda ignorância e insensatez como cortar o 7 ou dizer "queria um copo de água". 


Por Andreu Vallès, às 21:50 | comentar

O exacto problema do país são os juízos apressados e os convencimentos saloios de que falava Pacheco Pereira há uns tempos.


Por Andreu Vallès, às 02:14 | comentar

Sabes que todos temos a boca cheia de liberdade. Ouves dizer muitas vezes que a liberdade é um valor essencial e todos se acusam de querer tirar a liberdade uns aos outros. Até os grandes crápulas e tiranos da história disseram muitas vezes que defendiam a liberdade. Podes perguntar-te por que raio de razão é a liberdade tão importante. Não poderíamos todos lutar pela felicidade? Ou pelas conquilhas, já agora? Mas repara bem: com liberdade, podes decidir a tua felicidade. Sem liberdade, há outros que sabem bem melhor como te fazer feliz. A liberdade não é só um aspecto formal da vida. É a capacidade de te refazeres todos os dias e de te prenderes ao que queres, de perderes a tua liberdade pelo que te interessa e pelo realmente queres. A liberdade é o crédito com que nasces e gastas ao longo da vida. Que valha a pena. Luta por ela. Está sempre em perigo, porque para muitos, que têm muita liberdade na boca, o que interessa é a perfeição, é não verem a liberdade suja e incómoda dos outros à sua porta. A limpeza, a beleza, a felicidade. Esses são os deuses dessoutros que não querem a tua liberdade. Defende-te.

Lê bem: Abrupto; Origem das Espécies; Geração de 60


Por Andreu Vallès, às 02:02 | comentar

mas já tinha saudades.

gisele-bundchen-gq-italy-03g[1]


Por Andreu Vallès, às 02:00 | comentar

Definitivamente, dizer-se que se é de direita ou de esquerda é simplesmente demasiado simplista.

Não sou de esquerda, embora defenda quase tudo o que a esquerda defenda que aumente o nosso grau de liberdade.

Não sou de direita, porque em muita direita não posso dizer coisas como "desejo intensamente estar com aquela determinada mulher a copular sem intuitos reprodutivos".

Sou libertário. Sou um liberal à antiga. Um liberal à americana, até, se quiserem. Sou anglo-saxónico, catalão, burguês, oitocentista, liberal-anti-absolutista-liberal, ou seja, quero poder dizer que me apetecia estar numa tenda no meio duma floresta a comer uma sueca e ser feliz assim.

Entre esquerda e direita sou assim: como Popper, acho que a sociedade deve diminuir o sofrimento (e aí até posso ser de esquerda) e não aumentar a felicidade: isso é com a liberdade de cada um.

P.S. Gostava ainda de dizer aos quatro ventos que pessoas que dizem que prejudicar a saúde não é um direito (como um leitor da Visão) não percebem nada de nada.

tags:

Por Andreu Vallès, às 01:44 | comentar

Lindo: Ángel González (1925-2008)


Por Andreu Vallès, às 01:39 | comentar

Imagem no mapa

Daniel Oliveira, no Expresso de há oito dias, diz:

Não deixa de ser assustador saber que o homem mais poderoso do mundo, que decidirá muito das nossas vidas nos próximos anos, começa a ser escolhido como se fosse presidente de uma filarmónica.

Os sistemas perfeitinhos podem ser apanágio da esquerda (como todas as racionalidades sociais que se impõem alegremente aos outros), mas em Iowa os candidatos à presidência têm de ir aos cafés e aos bailes de aldeia falar com os eleitores.

Quantos sistemas matematicamente proporcionais se podem gabar do mesmo?


Por Andreu Vallès, às 01:32 | comentar

Este blogue foi e é inconstante.

Por vezes, custa inventarmo-me todos os dias.

Mas aqui estou.


Por Andreu Vallès, às 01:13 | comentar

Naomi_Campbell


Por Andreu Vallès, às 01:13 | comentar
109300~An-Allegory-of-Death-and-Beauty-Posters

Hans Baldung Grien


08
Jan 08
Por Andreu Vallès, às 18:47 | comentar

Nos blogues, nas blogosferas que por aí há, a criação é importante: criação de nós, do nosso nome, das nossas ideias. Como uma massa diferente do mundo do dia-a-dia, experimentamos, discutimos, vivemos em paralelo e de repente, como o mito, o mundo real deixa-se penetrar por esse outro mundo.

Mas neste mundo dos blogues, as coisas são sempre arrevesadas, vistas em diagonal, com outras vestes, outros sorrisos, outras certezas.

Por vezes, mais verdadeiras.


Por Andreu Vallès, às 18:44 | comentar

O que nos apetece sempre é ficar com as nossas certezas, nunca ouvir os outros, pensar que o que vivemos nos dá o direito de decidir quem está certo e errado definitivamente.

Afinal, o que os outros viveram só os engana e o que nós vivemos mostrou-nos o mundo como ele é.

Ou não?


Por Andreu Vallès, às 18:07 | comentar

Tive um ano sabático, poucos meses depois de começar o blogue. Lamento, mas a vida real é mais importante do que qualquer alter ego num blogue.

Vamos a ver se é desta que isto recomeça, sem certezas.


24
Out 07
Por Andreu Vallès, às 21:30 | comentar


Por Andreu Vallès, às 00:07 | comentar
Restaurar a monarquia, já. A república é cara, ineficaz, feia, não promove igualdade nem coisa nenhuma.

Por Andreu Vallès, às 00:06 | comentar
Acabar com o mito de que Espanha é uma nação.

Por Andreu Vallès, às 00:04 | comentar
Acabar de vez com o "estado social". Cada um por si.

08
Jul 07
Por Andreu Vallès, às 23:00 | comentar
O catalão é sempre inteligente e põe sempre a cabeça de lado, um pouco como Horatio Cane. O catalão é louco e rico e despreza profundamente muitas coisas, sem que seja possível enumerar sequer algumas delas. O catalão gosta de coisas que não confessa. O catalão sorri pouco, mas sorri bem. O catalão gosta secretamente de Portugal, se souber onde fica. O catalão gosta de ceifas e gosta de guerras (com Castela). O catalão gosta de livros, de vinho, de mulheres, sem espanto e sem raiva, com muita rauxa. O catalão até gostaria de touradas, se não fosse uma coisa tão espanhola.

Por Andreu Vallès, às 19:36 | comentar
É sempre tão fácil dizer coisas como:

Por todas as razões, Bloomsbury Recalled é, há cerca de dez anos, um dos meus livros de cabeceira. Numa altura em que tanto se traduz (e mais de metade é lixo), por que será que os nossos editores ignoram sistematicamente certo tipo de obras? [Da Literatura: OS BLOOMSBERRIES]

Os nossos editores têm este problema: ignoram sempre os livros de que gostamos.


Por Andreu Vallès, às 19:25 | comentar


Por Andreu Vallès, às 19:24 | comentar


Por Andreu Vallès, às 19:23 | comentar


Por Andreu Vallès, às 19:21 | comentar


Por Andreu Vallès, às 19:21 | comentar


Por Andreu Vallès, às 19:20 | comentar


Por Andreu Vallès, às 19:19 | comentar


05
Jul 07
Por Andreu Vallès, às 22:35 | comentar
Primeiro, é Pasqual Maragall, não "Pascoal Maragall". Depois, isto é uma série de banalidades.

Por Andreu Vallès, às 22:32 | comentar
Com proposta destas, em breve estão todos a falar espanhol na Catalunha.

O ERC é cada vez mais o BE catalão (ou vice-versa).

A liberdade é bonita, mas não a dos outros, pelos vistos.

Por Andreu Vallès, às 19:09 | comentar
http://apaniguado.blogspot.com/
Principalmente indicado para quem gosta de reflectir sobre (algum) irracionalismo arrojiano.

Por Andreu Vallès, às 14:47 | comentar
Malgré ça, ainda me espanta que tanta gente não veja além do petróleo quando procuram motivação para certas guerras. Havia tantas formas mais fáceis, se a razão fosse o só o petróleo... Antes fosse!

Por Andreu Vallès, às 14:42 | comentar
Dois blogues muito bons, que me irritam todos os dias, fazem-me pensar, quase nunca concordo com eles e, no entanto, são um prazer:

http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/
http://arrastao.weblog.com.pt/

04
Jul 07
Por Andreu Vallès, às 23:36 | comentar
O que é o Abrupto?

Por Andreu Vallès, às 23:35 | comentar
Da Literatura: EUROPA, 1

Assim se prova que os políticos são como o povo: nem uns nem outros querem saber de política.

Por Andreu Vallès, às 23:32 | comentar
"Pessoalmente acho as autonomias uma pantomina: fazer flores com o dinheiro dos outros é fácil."

Claro que a verdadeira autonomia não é isto. A verdadeira autonomia é fazer flores com o nosso dinheiro. Em Espanha, por exemplo, Madrid faz flores com o dinheiro de algumas autonomias. Como são diferentes as coisas dos dois lados da raia.
tags:

Por Andreu Vallès, às 12:13 | comentar
Proponho desde já ao Plano Nacional de Leitura que faça publicar uma antologia de todas as passagens da literatura nacional que se aproximem perigosamente da pornografia. Não só aumentava a leitura (pelo menos da antologia) como eu, por mim, comprava.

Por Andreu Vallès, às 10:40 | comentar
A União Europeia funciona como junção de Estados e povos e quanto mais for junção de povos e menos de Estados, melhor. Porque povos há muitos e Estados nem por isso.

Quero que cada povo possa sentir-se como tal, quero que uma pessoa possa sentir-se como parte de vários povos ou de nenhum, que se sinta orgulhosa duma Europa, dum Estado e duma Região que funcionam e são neutras cultural e nacionalisticamente, sem isso significar que ignoram as culturas e as "nações", inventadas ou não.

No limite, os Estados dividir-se-iam por razões de gestão, as regiões idem e haveria tantas selecções nacionais quantos "sentimentos nacionais". A nação ficaria desterritorializada e o Estado desnacionalizado.

Claro que esta é uma utopia perigosa e por isso defendo apenas que os Estados se preocupem mais com os valores ocidentais e menos com os valores nacionais e que todos defendam as várias nações e sintam como suas as várias nacionalidades europeias.

Ou seja, defendo que não utilizar o Astérix por demasiado francês é não ser europeu, porque tudo o que é francês é europeu, tal como tudo o que não o é.

03
Jul 07
Por Andreu Vallès, às 22:42 | comentar
Será que este blogue é menos sério por ter fotografias de mulheres bonitas?

(Não que me importe, claro. O que me importa é ter um blogue bonito.)

Por Andreu Vallès, às 20:16 | comentar
A vida dos Outros 4

Por Andreu Vallès, às 20:08 | comentar
Deixando de lado todos os critérios objectivos, assim de repente o cânone dos blogues em Portugal inclui:

.. Abrupto
.. Origem das Espécies
.. Blasfémias
.. Arrastão
.. Estado Civil

Em breve, talvez:

.. Geração de 60

Por Andreu Vallès, às 19:57 | comentar










Ou como por vezes é impossível escolher.

02
Jul 07
Por Andreu Vallès, às 23:07 | comentar
  • Uma certa mulher;
  • A Catalunha independente ou uma Espanha diferente;
  • Um rei em Portugal;
  • Tempo para ler;
  • ...

Por Andreu Vallès, às 23:05 | comentar
Numa das melhores revistas do mundo, fala-se de religião, do novo livro do papa e sobre se é possível admirar-se alguém com quem não concordamos em coisas que achamos essenciais.

Claro que, para a maioria das pessoas, a curiosidade pára em tudo o que toca a religião. Limitam a sua própria liberdade, diminuem a qualidade da sua liberdade. Tanto pior.
tags:

Por Andreu Vallès, às 22:45 | comentar


Por Andreu Vallès, às 22:42 | comentar
pedra do homem: Ler os Outros

Exacto.

Por Andreu Vallès, às 22:39 | comentar
Devíamos acabar com o aquecimento global ou com a pobreza no mundo?

Por Andreu Vallès, às 22:37 | comentar
Da Literatura: LISBOA A VOTOS, 11

O grande problema de Lisboa é haver tanta gente que lá trabalha e não vive na cidade, aumentado o trânsito, o vazio nocturno, a falta de iniciativa, as horas perdidas, o envelhecimento da cidade, etc., etc.

Pelos vistos, vai haver mais uma pessoa nessas condições a partir de 15 de Julho.

Quanto ao recenseamento, a obrigatoriedade de se estar recenseado na freguesia onde se reside é uma legalidade muito curiosa, ou não é verdade que Sócrates vota na Covilhã?

Por Andreu Vallès, às 22:22 | comentar
O que eu gosto de viver numa cidade. Gosto do trânsito, do cinema, dos passeios, da confusão, da calmaria do fim do dia, das conversas, dos cafés, das conversas, da liberdade, do anonimato, das luzes, de tudo.

Estarei perdido?

Por Andreu Vallès, às 17:12 | comentar
A monarquia constitucional.

Compare-se Portugal e Espanha.

Compare-se a França e o Reino Unido.

Pense-se na Suécia, na Noruega, no Luxemburgo.

O que é preciso é um rei que modere e um primeiro-ministro que governe.

A única liberdade que ficaria diminuida seria a liberdade do próprio rei, que, de qualquer forma, poderia abdicar, se quisesse.
tags:

01
Jul 07
Por Andreu Vallès, às 14:54 | comentar
Este tipo de argumentação exaltada, embora sincera e bem-intencionada, é bem típica das discussões portuguesas: acusa-se o outro de ignorância ("será que o Andreu já leu qualquer coisinha acerca de economia"?), de falta de experiência do mundo ("coitado!, é jovem...não pensa!?"), etc.

É óbvio que todos achamos que um empresário que, em vez de reinvestir, desata a disparatar ("a comprar a mansão pra familia+pr'amante+pró gato e pró piriquito") não está a agir de forma muito correcta, digamos assim, está a estragar o seu próprio investimento. Se cometer alguma ilegalidade, todos concordamos que deve ser responsabilizado. Se a empresa for à falência, a culpa é dele. Mas será que o número de empresas que são assim são a maioria? Quanto aos trabalhadores, se não quiserem continuar numa empresa "matreira" destas, podem muito bem pegar em si e investir o seu trabalho noutro local, noutro projecto, noutra empresa. Dirá agora: "mas acha que é assim tão fácil?" Claro que não é! Mas devia ser? Fácil é ficar na mesma empresa, investindo tempo e trabalho num projecto falido à partida. Será que a solução é obrigar todas as empresas a seguirem regras que impeçam falências? Será que a solução é termos empresas artificiais, presas por arames, em que os direitos dos trabalhadores estão protegidos não por negociações livres, mas por legislação externa? Será que aos trabalhadores interessa este sistema? Não é melhor que a própria concorrência defina quais as empresas que devem sobreviver? Mais: os trabalhadores, com o seu trabalho, não se poderiam juntar para criar outra empresa mais justa? Outra coisa: investir, planear, trabalhar para arranjar os meios de produção também é parte da equação, ou será que o retorno do investimento (o tal lucro retirado a quem produz) é sempre injusto?

A nossa maior discordância não é de preocupação, mas sim teórica (teoria só é uma palavra feia em Portugal e por isso nunca conseguimos ver muito além do nosso nariz e, também por isso, somos pouco produtivos, menos quando geridos, no estrangeiro, por outros) e principalmente de perspectiva: a maioria das empresas portuguesas são pequenas e médias empresas, onde os "patrões" (o capital) trabalha tanto e a maioria das vezes mais do que os funcionários. Estas pequenas empresas criam emprego, criam riqueza, negoceiam de forma directa com os funcionários e estão afogadas em regras e regulamentações que as estrangulam, diminuindo a produtividade e a possibilidade de aumentar os ordenados. (Já agora: Será que um funcionário duma empresa em Espanha não ganhará mais também porque consegue ser mais produtivo (e não só por causa da lei da oferta e da procura, que se esqueceu de referir na referência ao El Corte Inglés)?)

O que é irónico é que, na realidade, até penso que o grande problema em Portugal é a má gestão e não o mau trabalho (ou antes, o problema é o mau trabalho dos gestores). Precisávamos realmente de melhores empresários e para isso precisamos de mais empresários: ou seja, precisamos de projectos, de capital, de trabalho empenhado, de concorrência, de melhores processos, de melhor legislação, de melhor aproveitamento do tempo e também de mais liberdade de escolha por parte dos trabalhadores e dos empregadores, mais fluidez, mais flexibilidade, mais riqueza (para todos). Há sítios e empresas onde o aumento da produtividade tem efeitos benéficos para todos: são as chamadas empresas que funcionam.

29
Jun 07
Por Andreu Vallès, às 18:16 | comentar | ver comentários (1)
Como já é um lugar comum, somos demasiado livres: posso perfeitamente pegar numa arma e ir para a rua disparar. Posso. É um facto. Será uma violência sobre a liberdade dos outros, mas até me pegarem nos braços e impedirem-me de continuar (ou me derem um tiro), é algo que qualquer um de nós consegue fazer.

Esta liberdade terrível inclui a liberdade de nos sujeitarmos a violências contra as quais podíamos muito bem lutar. Inclui a liberdade de não usar a liberdade. Inclui a liberdade de sermos irresponsáveis ou responsáveis.

Limitações à liberdade

Essa liberdade absoluta só é limitada por dois factores: a violência dos outros e as nossas próprias limitações. Se pensarmos bem, estas duas limitações, na realidade, são só uma: os limites das nossas capacidades (de nos defendermos, de sermos criativos com a liberdade, de concretizar os nossos desejos).

Ora, a função principal da sociedade enquanto tal é dar-nos a oportunidade de sermos ou não criativos com a nossa liberdade (ou seja, estar sossegada) e impedir a violência duns contra os outros (agarrar-me nos braços ou dar-me um tiro, no caso apresentado acima). Ou seja, maximizar a nossa liberdade, livre de violência.

A Qualidade da Liberdade

Agora, significa isto que aquilo que fazemos com a nossa liberdade é igual, seja o que for que façamos? Claro que não: a liberdade pode ser utilizada de forma melhor ou pior. Posso ter demasiados vícios, posso deixar-me influenciar por tudo o que me dizem, posso ficar fechado em casa, posso não querer saber nada, posso funcionar como uma peça numa máquina cega, posso acreditar em ideologias que limitam o mundo a um conjunto restrito de regras e explicações. Posso fazer isto tudo. Para mim, pessoalmente, isto significa um fraca qualidade da liberdade.

Ou seja, a liberdade é absoluta, mas pode ter mais ou menos qualidade, pode ser utilizada de formas distintas, com diferentes valores (nem tudo é igual). Podemos avaliar a liberdade dos outros, tentar influenciá-los a utilizá-la da forma que achamos mais indicada para eles (ou para nós). Somos livres de o fazer. Devemos fazê-lo, em certos casos. Podemos sempre não o fazer. (A ética, que existe e não é relativa, não limita em nada a nossa liberdade, a não ser que o queiramos - e eu, por mim, quero.)

No final, só cada um de nós pode avaliar de forma activa a qualidade da sua própria liberdade. Só cada indivíduo pode realmente julgar a forma como é livre e pode alterá-la. Só cada indivíduo sabe se quer ser (ou se sabe ser) responsável ou irresponsável, curioso ou castrado, influenciável ou bicho do mato.

Por mim, a liberdade deve ser sempre irreverente, curiosa, salgada, consciente do que existe e do que é bom, dos outros, das relações com os outros, das liberdades dos outros; deve ser uma liberdade aberta a tudo o que existe, a esse mundo que não pedimos mas que ainda assim nos
apareceu à frente. Em relação aos outros, sei o que penso do que fazem com a liberdade deles, mas não posso e não devo tentar violentar a liberdade deles, primeiro, porque são livres, segundo porque não há ninguém que me consiga provar sem sombra de dúvidas que a minha liberdade é melhor do que a deles (mas mesmo que fosse...).

Em relação às violências exercidas sobre a nossa liberdade, cada um decide o que fazer: sujeitar-se ou lutar, ignorar ou conhecer, ironizar ou servir de papagaio. No caso das liberdades que desejamos mas que estão para lá do nosso alcance, só nos resta escolher, livremente: lutar por mudar e alcançar ou conformarmo-nos. Por vezes, a melhor liberdade implica conformarmo-nos com alguns dos sonhos impossíveis, para podermos desfrutar da liberdade que temos e podemos utilizar. Mas tudo depende de cada um. Aí está o que é terrível, difícil, solitário na vida humana. Precisamente, humana.

tags:

Por Andreu Vallès, às 17:50 | comentar
Miró

Por Andreu Vallès, às 17:43 | comentar | ver comentários (1)
Para discutirmos, temos de conhecer o mais possível, ouvir o mais possível. Por isso, o exemplo da Autoeuropa, concorde-se ou não com as opiniões veiculadas, é importante. O meu problema é outro: é a mentalidade doutra geração (a minha) quando chega ao mercado de trabalho. Ver post anterior.

Por Andreu Vallès, às 17:07 | comentar
"ter uma família e poder sustentá-la dignamente e poder educar os filhos e poder namorar e poder gozar os prazeres da vida, etc."

[Uma pequena pergunta economicista (ui!): se uma pessoa não produz o suficiente para se poder sustentar dignamente, porque haverá de ter de ser o Estado ou a empresa onde trabalha a fazê-lo?]

O que é que eu vejo em muitas pessoas da minha geração (20-30 anos) é a noção que tudo isto, estas coisas boas que todos queremos, é um direito natural que alguém é obrigado a fornecer-lhes. Quando uma pessoa sai do trabalho dura da faculdade, ou tem já o emprego de sonho, com poucas horas de trabalho por dia, sem grandes chatices, com um bom ordenado, ou o mundo está perdido.

Quando se chega aos 30 anos e não se tem o emprego com que sempre se sonhou, então começa-se a acusar tudo e todos por não se ter o país que queremos. Ou então, para alguns sortudos, o emprego de sonho já deixou de ser de sonho, porque dá trabalho, porque há problemas. Trabalhar muito, aprender a ser produtivo, ser organizado, esforçar-se para construir alguma coisa, empreender, criar, gostar de "fazer coisas", ter imaginação: tudo isso é coisa "careta", não serve. Só as coisas boas a que temos direito é que contam.

Ninguém gosta do caminho para se chegar às coisas boas (é normal que não se goste da parte do trabalho duro, mas é preciso): mas daí a advogar que não é preciso esse caminho, que temos direito a ter o caminho almofadado, vai uma grande distância.

No fim, quando se lutou, tudo sabe melhor. Ou não?

Infelizmente, a resposta a este tipo de argumentos é: "mas já se trabalha demais, já não há tempo para nada". Trabalha-se muito, porque se trabalha mal. Esse é o problema. Se não se produzir para poder criar a riqueza a que corresponde o ordenado, o mesmo é irreal, é um subsídio que outros pagam para que possamos viver bem (até que o subsídio acaba, porque o outro está esfalfado a descansar). Por isso, temos de trabalhar mais até aprendermos a trabalhar melhor.

Claro que isto está muito longe da discussão do domingo: não me choca nada que o domingo seja de descanso obrigatório. Deve sê-lo. Mas se a maioria das pessoas, nesse descanso, querem ir às compras (porque não o podem fazer noutra altura) - e tal como há profissões com descansos alternados -, os hipermercados podiam adaptar-se a essa necessidade e melhorar a vida a todos: aos compradores, aos trabalhadores (que ganham mais para compensar o trabalho de fim-de-semana, como é justo), às empresas (que não são os inimigos dos trabalhadores, ao contrário do que se pensa).

Dirão alguns: "mas onde está a qualidade de vida dum domingo passado no centro comercial?". Concordo inteiramente. Não gosto de ir ao centro comercial ao domingo. Mas não sou eu que decido o que é a qualidade de vida dos outros.

Por Andreu Vallès, às 16:20 | comentar
Já agora, que falámos de Jorge Buesco, apetece-me invectivar contra o snobismo anti-divulgação científica ou anti-divulgação seja do que for. Algumas almas, sempre conscientes do perigo da superficialidade ou antes presos ao vício da especialização, acham que mais do que divulgar, devemos investigar. Ora, investigadores há imensos e bons (ou menos bons) mas bons divulgadores, nem por isso. E qual é a importância da divulgação? Ora: qual é o interesse dum campo de investigação (ainda por cima se for teórico) se não poder ser divulgado para poder fecundar os outros campos, para poder despertar curiosidade nos outros, se não poder ser compreendido (a um nível básico que permita chegar a conclusões e separar o trigo do joio) pelo menos por quem queira compreender genuinamente e com algum esforço alguma coisa?

É por não haver mais penetração entre campos, mais bons divulgadores, mais interesse genuíno por o que fazem os outros, que cada um dos portugueses acha a sua actividade indispensável e as actividades dos outros sempre muito inúteis. Também por isso, a maioria de nós acaba por ser muito limitada nos interesses e nos conhecimentos para lá da sua área muito particular de trabalho e/ou investigação.

Comunicar implica saber divulgar o que para nós deve ser aprofundado e investigado mas para os outros deve ser apenas conhecido e compreendido. Senão, ficamos todos em circuito fechado, a saber muito sobre pouco e nada sobre tudo.

Por Andreu Vallès, às 16:11 | comentar
Aqui, o sabor da curiosidade, do sumo das coisas, do gostar de passar noites a ler.

O que serve para apontar (o que neste caso não é feio) para um blogue estrondoso, onde, para ser óptimo, bastaria estar Jorge Buesco (que com o Mistério... me fez descobrir a ciência à la Popper) e Pedro Norton (quem vai tentando remar liberalmente contra a corrente), mas onde, felizmente, estão muitos mais.

Por Andreu Vallès, às 13:23 | comentar
"O Parque das Nações tem demasiados prédios."

Típico da mentalidade "urbanística" portuguesa: todos andamos ainda convencidos que quanto mais espalhada estiver uma cidade, melhor (errado: quanto mais concentrada, menos trânsito é necessário, mais massa crítica para cultura, empresas, etc. existe, menos subúrbios são necessário), que quanto menos prédios em altura pior (errado: depois admiram-se da necessidade de fazer prédios em altura nos subúrbios, onde, realmente, se vive muito melhor...), que quanto menos gente na cidade e mais espaços vazios melhor (errado: conjugar tudo e criar uma rede verdadeira de habitação, emprego, cultura, etc. é que deve ser feito, como foi feito, neste caso).

A mentalidade "urbanística" portuguesa, quando lhe prometeram uma "cidade imaginada", imaginou: então tem de ser uma cidade com muito poucos prédios e muitos espaços verdes, uma espécie de planície arborizada com uns tantos montes aqui e ali. Deram-lhe uma cidade relativamente bem pensada, com muitos prédios (com habitação e empresas e serviços e comércio para evitar a suburbanização da coisa) e muitos espaços verdes (basta visitar com olhos de ver, não olhar de longe para os prédios). Há poucos (ou nenhuns) bairros de Lisboa com mais arborização (já passaram pela Alameda dos Oceanos na Zona Norte do Parque, junto à antiga "Vila Expo"?) e mais bem planeados. E nenhum tem um Parque Tejo, considerado o melhor parque da cidade.

Mas claro que é sempre mais giro, mais "lúcido", mais "inconveniente" dizer que a Expo se desvirtuou, que há prédios a mais, que foi tudo mal pensado, etc., etc. O que se faz bem nunca é bem visto porque não fica bem.


Por Andreu Vallès, às 13:04 | comentar
"Em Espanha come-se mal."

Diz-se isto, claro, porque se avalia apenas a comida para turistas, a comida da esquina ou até porque não se consegue vislumbrar mais nada do que a comida da mãe (o que em si é bom, mas é um critério gastronómico muito limitador).

Assim, alegremente, os portugueses vão dizendo esta alarvidade, como se isso fosse patriota.

Por Andreu Vallès, às 13:03 | comentar


Por Andreu Vallès, às 12:55 | comentar
O catalão lá vai somando pontos no caminho para ser uma língua como as outras.

Neste momento, das línguas minoritárias, é que a mais expansão tem.

Só é pena precisar tanto do "Estado" (=Generalitat) para isto.

Por Andreu Vallès, às 12:42 | comentar
Comentador do Insurgente: "Quero acreditar que a ignorância que sobressai da opinião expressa em público não se reflecte nas atitudes na vida privada." [Ou seja, parafraseando, "quero acreditar que aqueles que defendem o direito ao sexo anal não o praticam..."]

Mas quer acreditar porquê? Qual é a influência que a vida privada dos outros, dentro de lençóis ainda por cima, tem na sua própria vida. Acho muito bem que pratique ou não pratique ou tenha nojo do que quiser. Mas querer separar o mundo entre "os que fazem" (ignorantes imundos que não sabem que se estão a matar) e "os que não fazem" (esclarecidos) é muito limitador...

É óbvio que todos sabemos os perigos (e se não sabemos, devíamos saber). Mas também todos sabemos os perigos de, sei lá, nadar no mar (ou devíamos saber). Será que quem nada no mar é perverso? (Claro que, pessoalmente, pode achar perverso o que quiser. Eu, por exemplo, acho perverso querer limitar a vida com medo de se sujar.)

Para quem não sabe os perigos do sexo anal, aqui está: http://en.wikipedia.org/wiki/Anal_sex

Para quem não sabe os perigos de nadar no mar, aqui está: http://www.health24.com/Man/General/748-771,30470.asp

Por Andreu Vallès, às 11:27 | comentar
A ler: As Minhas Leituras: Irracionalismo e proibicionismo

Aqui está um bom post sobre "coisas parvas que as pessoas dizem". A história de os fumadores passivos serem mais prejudicados do que os activos está na mesma onda do "o universo é infinito" ou "só utilizamos 10% do cérebro". Estupidezes que tantas vezes repetidas passam por verdades.

Enfim, mas o que esperar quando a maioria das pessoas (incluindo "cientistas") pensa que a ciência serve para provar coisas, como se Popper nunca tivesse existido?

Por Andreu Vallès, às 01:04 | comentar
Portanto, por estes dias, andamos obcecados pelo mesmo, a discutir flexibilidade, a falar de sexo anal... Enfim, o costume.

Junho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


arquivos
pesquisar blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO